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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Cinco lições de Mano Menezes para administrar talentos e conflitos de geração



Fonte: Exame.com: http://exame.abril.com.br/negocios/gestao/noticias/as-cinco-licoes-de-gestao-de-mano-menezes


São Paulo – No intervalo da zerada estréia do Brasil na Copa América, o técnico da Venezuela foi reclamar com o atacante Neymar por o jogador não ter colocado a bola para fora de campo para ser feito o atendimento médico a um jogador venezuelano. Mano Menezes correu para apartar a discussão. A justificativa do técnico foi que o adversário não teria direito de dar essa bronca, apenas ele.

A habilidade de resolver conflitos é uma das características de Mano Menezes que pode ser transposta para o mundo dos negócios. As missões desse CEO ainda incluem administrar jovens talentos milionários e lidar com mais de 180 milhões de clientes apaixonados.
O trabalho de Mano Menezes à frente da seleção ainda é muito recente, por isso não dá pra apontar características definitivas, mas já é possível ver algumas características de sua gestão que podem ser transpostas para o mundo dos negócios – além das tradicionais “disciplina” e “trabalho em grupo”.
Conflitos 
Mano Menezes foi técnico do Corinthians quando Ronaldo jogou no time. Na época, o jogador era muito criticado por conta da sua forma física e desempenho que deixava a desejar.
Nesse contexto, Menezes conseguia fazer os demais jogadores perceberem a importância de Ronaldo em campo, e se esforçavam mais, segundo Roberto Hirsch, da Pós-Graduação da ESPM. “Isso se atribui a uma competência de Mano, tirar o melhor de cada um e montar a equipe, que não é de um jogador só”, disse.
Para o time, não adianta ter um bom ataque sem uma boa defesa, sem alguém que roube a bola do time adversário. “Dentro de uma empresa eu preciso desde o técnico mais brilhante para inovar até o que coloca a mão na massa”, disse.
Mistura de gerações
Uma das característica de Mano destacadas por Hirsch é sua capacidade de trabalhar com jovens. O time brasileiro que disputou a última Copa do Mundo, tinha média de 29 anos. Mano escolheu jogadores cuja média de idade soma 23 anos, e inclui as gerações X (Júlio César e Lúcio, por exemplo, tem 30 e 33 anos, respectivamente) e Y (Como Ganso e Alexandre Pato, ambos de 21 anos). E Menezes, por sua vez, pertence à geração baby boomer.

Saber misturar gerações também é importante para os gestores, segundo Hirsch. “Se o gestor de empresas não tiver isso (souber lidar com diferentes gerações) hoje não se consegue nada”, disse.
Estrelas
Um dos pontos principais para um técnico da seleção brasileira é saber administrar pessoas ricas, bem sucedidas e com ego inflado. “Ele tem que ser um maestro para equilibrar os interesses do grupo e do individuo”, disse Amir Somoggi, sócio da BDO RCS.
Para lidar com as estrelas, o gestor também precisa de humildade. “Saber ser líder sem ser a estrela é uma grande característica, o bom líder é o que brilha atrás das estrelas, fica por trás do sucesso do projeto”, disse Hirsch.
“Duvido que alguma empresa tenha em dinheiro e visibilidade alguém que se compare a um jogador de futebol”, disse Somoggi. Além disso, os jogadores não são remunerados na seleção, mas ganham a premiação – um bônus caso alcancem a meta.
Dar um sentido maior ao trabalho
Para estimular os jogadores, explora-se a visibilidade internacional que a seleção proporciona, o prestígio, a oportunidade de receita com campanhas publicitárias e o patriotismo – valor que pode ser aproveitado pelas empresas, não com o sentido de pátria, mas de fazer o funcionário vestir a camisa do empregador.
As empresas ainda tem muita dificuldade em extrair dos funcionários, especialmente da geração Y, a paixão, segundo Somoggi. “As pessoas trabalham muito por dinheiro e pouco por amor”, disse.
Cultura da empresa
“Você não pode tentar mudar a cultura da empresa”, segundo Somoggi. O estilo de Dunga à frente da seleção era de um jogo mais duro, com um estilo agressivo dentro de campo, contra a cultura do futebol brasileiro. Já Mano Menezes parece ser adepto de um jogo mais leve, seguindo a tradição nacional.
“Parece que Menezes vem com um intuito de tirar o estigma de guerra que o Dunga tinha criado”, disse. Mas a mudança de estilo não necessariamente veio de Menezes, ela pode ter sido definida pela CBF, segundo Somoggi, e é simplesmente seguida pelo treinador.

Mano Menezes também afastou a religião de dentro de campo. Ele não impede que cada jogador siga sua crença, mas não aceita a presença de líderes religiosos na concentração, como era comum na era Dunga, por exemplo. Como no time, nenhuma empresa deve aceitar interferência religiosa no seu dia a dia, segundo Somoggi.
Nesse sábado, a seleção brasileira joga contra o Paraguai. É grande a expectativa de que o jogo tenha um resultado melhor do que zero a zero. A cobrança sobre o time se explica. Entre 1970 e 1994, quando a seleção não ganhou nenhuma Copa do Mundo, o time tinha seu valor, mas depois do título, a receita da CBF aumentou, segundo Somoggi. Em 2003, o faturamento era de 110 milhões de reais, com 80 milhões de reais de patrocínio. Somente em 2010, o faturamento da CBF foi de 271,2 milhões de reais, com 193 milhões de reais em patrocínio.
No futebol, os clientes agem movidos pela paixão, enquanto nas empresas as decisões são mais racionais.  De toda forma, a decisão final das diretorias segue a mesma linha: ganhar a competição. “Vida de técnico é como de diretor de empresa, por mais admirado e respeitado que seja, se não der resultado...”, sugere Hirsch.

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