"Na atual sociedade da informação, o que se procura (...) é o líder sábio, cuja capacidade de guiar as pessoas seja apurada pelos caminhos do conhecimento e da ética"

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A produtividade do brasileiro


Share
A matéria de capa da Exame desta quinzena vem dando o que falar. A revista destaca pesquisas que apontam e explicam porque nós brasileiros somos tão improdutivos e escancara um problema que pode impedir o crescimento sustentável do país nas próximas décadas e ainda é pouco discutido.
Enquanto o trabalhador americano produz uma riqueza de aproximadamente US$ 100 mil anuais, por exemplo, o brasileiro gera cerca de US$ 22 mil. Isto é, um deles sozinho produz o mesmo que cinco de nós, como a publicação estampou em sua capa.
Mas, por que este problema tem passado despercebido nos últimos tempos? Segundo a Organização Internacional do Trabalho, ralamos muito mais horas semanais do que a população da maioria dos países ricos para compensarmos a nossa baixa performance, já que somos apenas a 75ª nação no ranking de produtividade.
Não há um único fator gerador deste problema, no entanto o baixo investimento em educação talvez seja o principal deles. Estudamos em média quatro anos menos do que os americanos e eles ainda possuem 44 universidades entre as cem melhores do mundo ao passo que não temos nenhuma com tal nível de excelência. Por conseguinte, o déficit atual de profissionais técnicos e de nível superior com boa qualificação é enorme nas mais diferentes áreas.
A rigidez das leis trabalhistas, os baixos investimentos governamentais em infra-estrutura e as dificuldades encontradas pelas companhias para a importação de equipamentos com tecnologia avançada também são limitadores consideráveis que afetam a produtividade das empresas brasileiras e as impedem de assumir um papel de destaque no cenário mundial.
É claro que avançamos consideravelmente durante os últimos dez anos e o desemprego atual é mínimo, contudo tivemos mais sorte do que juízo. Nosso crescimento se deu graças ao aumento da demanda internacional por commodities que produzimos com excelência, especialmente minério de ferro, petróleo, soja e açúcar. O que seria de nós se os consumidores destes produtos, principalmente os chineses, não tivessem crescido tanto neste período? Será que teríamos avançado? Os números atestam que não.
Infelizmente, permanecemos com o mesmo nível de produtividade da década de 1970 e nosso crescimento foi possível graças ao contingente de milhões de pessoas que estavam desempregados e foram incorporados ao mercado e não porque nos tornamos mais competitivos ou aprendemos a inovar.
Por isto, antes de contratar mais gente para trabalhar em sua empresa procure avaliar se as pessoas que operam contigo estão sendo produtivas. Além disto, verifique se possuem os recursos necessários para desempenharem bem o papel que se espera delas, afinal em alguns lugares é comum encontrarmos profissionais desmotivados porque a lentidão de seus computadores lhes suga duas ou três horas diárias.
Também aproveite para analisar os processos-chave que existem na companhia. Geralmente é possível obter ganhos de escala com pequenas mudanças que são de fácil implantação e estão diante de seus olhos. A equipe só precisa refletir diariamente: “Como podemos alcançar o mesmo resultado fazendo as coisas de um modo mais fácil, rápido ou melhor?”.
E não esqueça que o clima organizacional afeta o desempenho das pessoas. Quantas vezes já vi profissionais fazendo corpo mole porque o ambiente era pesado ou o gestor não as respeitava. E, diferentemente, também presenciei pessoas produzindo de maneira espetacular porque os lugares aonde trabalhavam eram mágicos.
Quando o assunto é produtividade precisamos analisar uma série de aspectos macroeconômicos e gerenciar de perto aqueles específicos que afetam cada uma de nossas empresas. Só não podemos continuar acreditando que trabalhar muitas horas ou com muita gente seja a solução certa para tudo. Precisamos trabalhar direito.
Autor: Wellington Moreira – Palestrante e consultor empresarial nas áreas de Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreiras, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é especialista em Comunicação Empresaria. wellington@caputconsultoria.com.br
Fonte: http://www.caputconsultoria.com.br


Nenhum comentário:

Postar um comentário