"Na atual sociedade da informação, o que se procura (...) é o líder sábio, cuja capacidade de guiar as pessoas seja apurada pelos caminhos do conhecimento e da ética"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Síndrome do Safety Car


Por Robson Vitorino

Faltam 10 voltas para o final da corrida quando o vice líder do campeonato roda na entrada da curva principal. Sai dos boxes uma bela Mercedes Benz com o objetivo de agrupar todos os carros atrás dela numa velocidade que garanta mais segurança. É o Safety car na pista.
Você já deve ter tomado conhecimento de alguém muito talentoso que ao alcançar o sucesso começou a se desestruturar de repente. Uma liderança forte e credível é aquela forjada em cima de uma estrutura de caráter. Caso essa estrutura esteja com rachaduras, toda a construção desmoronará em algum momento. Ou pior, seguirá em ruínas acreditando estar em perfeito estado.
O psicólogo da faculdade de medicina de Harvard e autor do livro The Sucess Syndrome, Steven Berglas, diz que as pessoas que conquistam altas posições mas não têm estrutura para sustentá-las durante o período de estresse caminham para o desastre. Segundo Berglas, alguns efeitos desse desastre são: Arrogância, sentimentos dolorosos de solidão, busca de aventuras destrutivas ou adultério.
Quero me deter apenas no primeiro efeito “Arrogância”. Os demais efeitos geram problemas pessoais para o líder e, consequentemente, para os seus liderados. Mas a arrogância, esta traz conseqüências diretas para líder e o ambiente de trabalho. Além de bloquear toda e qualquer forma de ajuda.
Arrogância é o sentimento que caracteriza a falta de humildade. São sinônimos, o orgulho excessivo, a soberba, a altivez, o excesso de vaidade pelo próprio saber ou o sucesso. E como estamos falando de liderança, é fundamental registrar que a arrogância bloqueia toda e qualquer iniciativa de liderança. Pois se o liderado o vê como arrogante, nunca aceitará a sua liderança.
A síndrome do Safety Car atormenta líderes no mundo inteiro, o primeiro sintoma é a arrogância e os efeitos colaterais são:
• Não está competindo, mas faz questão de ir para pista;
• Não tem motor para andar rápido, mas ordena que todos andem atrás dele;
• Não deixa que a sua equipe desenvolva a potencia de seus motores;
• Faz questão ser o primeiro da fila;
• Faz questão de dizer que enquanto ele estiver ali é proibido ultrapassar;
• E quem ultrapassar é desclassificado.
A este líder a única esperança é que ele possa reconhecer que há algo errado e buscar mudança, se é que a arrogância dará espaço para que isso ocorra. Certamente a sua arrogância não permitirá que ouça a crítica de seus pares. Mas existem pessoas que nos conhecem tão bem quanto nós mesmos: Nossa família. Geralmente partem dela as melhores críticas, isentas de veneno e comprometidas com o nosso bem estar.
Para os liderados, a intenção de mudar o caráter de alguém é prepotência. Resta seguir alguém que mereça de fato ser seguido. Alguém com caráter sólido e transparente. Alguém que não esteja preocupado em concorrer com os liderados e que faça o trabalho de orientação e desenvolvimento com eficácia.
Como diz o velho ditado “Quem acha que é um líder e não tem seguidores está apenas passeando.”

Robson Vitorino é palestrante, professor, articulista e consultor nas áreas de Marketing, Comunicação, Liderança e Gestão de Pessoas – www.robsonvitorino.com.br – E-mail: contato@robsonvitorino.com.br

Fonte:
http://robsonvitorino.com.br/?p=228&goback=%2Egde_3312695_member_235927305



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